Imposto de importação de carro elétrico em 2026: 35%, cotas e o que muda no preço
Desde 1º de julho de 2026, carros elétricos, híbridos plug-in e híbridos importados prontos pagam 35% de imposto de importação no Brasil. Entenda o cronograma do Gecex desde 2024, as cotas isentas, as regras para kits CKD e SKD, o papel do Programa Mover, a produção local de BYD e GWM e o que tudo isso significa para quem vai comprar um elétrico novo ou usado.

Thiago Felizola Freires
Autor

Desde 1º de julho de 2026, o imposto de importação de carros elétricos e híbridos montados no exterior é de 35% no Brasil, a mesma alíquota dos carros a combustão. A alta encerrou o cronograma do Gecex iniciado em janeiro de 2024. Fora da cota isenta, kits semidesmontados (SKD) também pagam 35% e kits desmontados (CKD), 14% até dezembro.
Na prática, julho de 2026 separou o mercado em dois grupos: quem importa o carro pronto, que agora paga a alíquota cheia, e quem monta no Brasil, como BYD e GWM, que ainda conta com alíquotas menores e com uma nova cota com imposto zero até o fim do ano. Abaixo, o cronograma completo, o que mudou, o efeito provável nos preços e o que isso significa para quem vai comprar um elétrico novo ou usado.
Qual é a alíquota de importação de carro elétrico em 2026?
O cronograma foi aprovado pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) em 10 de novembro de 2023, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Até então, os elétricos importados estavam isentos. A retomada foi gradual e diferente para cada tecnologia:
| A partir de | Elétrico (BEV) | Híbrido plug-in (PHEV) | Híbrido (HEV) |
|---|---|---|---|
| Janeiro de 2024 | 10% | 12% | 15% |
| Julho de 2024 | 18% | 20% | 25% |
| Julho de 2025 | 25% | 28% | 30% |
| Julho de 2026 | 35% | 35% | 35% |
Fonte: MDIC, deliberação do Gecex de 10/11/2023. Alíquotas para veículos importados montados.
Para kits que são montados no Brasil, a regra é outra. Em 23 de junho de 2026, na 238ª reunião do Gecex, o governo manteve o cronograma e definiu, segundo nota do MDIC reproduzida pela LegisWeb:
| Regime de importação | O que é | Alíquota em setembro de 2026 | A partir de 1º/1/2027 |
|---|---|---|---|
| Montado (carro pronto) | Chega pronto para rodar | 35%, sem cota | 35% |
| SKD | Semidesmontado; montagem final no Brasil | 35% acima da cota; 0% dentro da cota | 35% |
| CKD | Desmontado; exige etapas industriais no Brasil | 14% acima da cota; 0% dentro da cota | 35% |
O que mudou em julho de 2026?
Cinco pontos definem o cenário desde 1º de julho:
- Alíquota cheia para os importados prontos. Elétricos passaram de 25% para 35%, plug-ins de 28% para 35% e híbridos de 30% para 35%.
- Fim das cotas isentas originais. As cotas criadas em 2023, que permitiam importar carros prontos sem imposto até determinado valor, valiam até 30 de junho de 2026. Agora, segundo o MDIC, "a importação de carros montados" não terá "qualquer tipo de cotas".
- Nova cota zero para kits. O Gecex aprovou US$ 463 milhões em importações de CKD e SKD com alíquota zero, de 1º de julho a 31 de dezembro de 2026. O valor é idêntico ao da cota aprovada em 2025, que vigorou por seis meses até janeiro de 2026, segundo a AutoIndústria.
- SKD na alíquota cheia. Acima da cota, kits semidesmontados passaram a pagar 35%.
- CKD com prazo definido. Os kits desmontados ficam em 14% até dezembro. Em 30 de julho de 2025, o Gecex já havia antecipado de julho de 2028 para janeiro de 2027 a data em que o CKD chega a 35%, atendendo parcialmente a um pedido da Anfavea.
A decisão de junho dividiu o setor. A Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, disse ver a cota com "grande preocupação", segundo a Agência Brasil. A AutoIndústria registrou que a medida vai ao encontro dos interesses da BYD, que monta carros em Camaçari (BA), e que Anfavea e Sindipeças enviaram carta ao governo alertando para risco de desindustrialização.
Como eram as cotas isentas criadas em 2023
Cada tecnologia tinha um teto em dólares, decrescente, para importar sem imposto:
| Período | Híbrido (HEV) | Plug-in (PHEV) | Elétrico (BEV) |
|---|---|---|---|
| 1º período (até meados de 2024) | US$ 130 milhões | US$ 226 milhões | US$ 283 milhões |
| 2º período (até meados de 2025) | US$ 97 milhões | US$ 169 milhões | US$ 226 milhões |
| 3º período (até 30/06/2026) | US$ 43 milhões | US$ 75 milhões | US$ 141 milhões |
Fonte: MDIC, novembro de 2023.
Por que elétrico, plug-in e híbrido tinham alíquotas diferentes?
O MDIC explicou em 2023 que as alíquotas iniciais variavam "com os níveis de eletrificação e com os processos de produção de cada modelo, além da produção nacional". A lógica fica clara no caso dos caminhões elétricos, que chegaram a 35% já em julho de 2024 porque, segundo o ministério, havia produção nacional suficiente. Pelo mesmo raciocínio, o elétrico puro de passeio, com pouca produção local na época, começou com a menor alíquota.
Em julho de 2026, essa diferença acabou. Para quem importa o carro pronto, BEV, PHEV e HEV pagam os mesmos 35%. A diferenciação por tecnologia continua existindo em outro imposto, o IPI, pelo Programa Mover.
Carro elétrico vai ficar mais caro?
Os importados prontos, sim, ficam sob pressão. Em fevereiro, uma estimativa apresentada em encontro da Abeifa (associação dos importadores) com a imprensa previa alta de até 8% no preço final dos elétricos importados, segundo o Terra. No exemplo citado, um carro de R$ 200 mil passaria a custar perto de R$ 216 mil.
A alta de 10 pontos percentuais no imposto não vira 10% no preço de vitrine. O imposto de importação incide sobre o valor aduaneiro do carro, que é só uma parte do preço final; o restante inclui outros tributos, logística e margem da rede. Por isso o repasse depende de cada marca.
Três fatores seguraram o efeito imediato:
- Estoque. O O Tempo observou em junho que as marcas chinesas formaram estoques antes da alíquota cheia, o que pode manter preços estáveis nos primeiros meses.
- Produção local. Carros montados no Brasil não pagam os 35% sobre o veículo pronto.
- Concorrência. O mercado está disputado. Segundo a Anfavea, citada pela AutoIndústria, eletrificados somaram 24,4% dos emplacamentos em agosto de 2026 e as importações de eletrificados cresceram 84,3% de janeiro a agosto, para 227,7 mil unidades.
Minha leitura: o imposto de 35% encarece principalmente os importados sem plano de produção local, como boa parte dos modelos premium europeus e dos SUVs chineses que ainda chegam prontos. Para os modelos de volume montados aqui, a próxima data que merece atenção é 1º de janeiro de 2027, quando acabam a cota zero e a alíquota de 14% do CKD.
Produção local: por que BYD e GWM escapam da alíquota cheia
Segundo a Anfavea, 39% dos eletrificados vendidos de janeiro a agosto de 2026 foram feitos no Brasil, em sua maior parte com peças que chegam em kits CKD ou SKD. Os principais casos:
BYD em Camaçari (BA)
A fábrica começou a operar em julho de 2025 e foi inaugurada oficialmente em outubro, com capacidade de 150 mil veículos por ano na primeira fase e 300 mil na etapa seguinte, segundo a BYD. Em julho de 2026, chegou a 100 mil carros produzidos, com cerca de 20 mil por mês, de acordo com a CNN Brasil.
Saem de lá o Dolphin Mini, o King e o Song Pro, além do Atto 2 DM-i, que a BYD informa ser fabricado em Camaçari. Em janeiro, a montagem era feita em regime SKD, segundo o Vrum. As áreas de estamparia, soldagem e pintura estavam em fase final de construção em setembro, com 589 funcionários já alocados, segundo a AutoData. Essas etapas pesam na conta tributária: sem solda e pintura locais, a montagem tende a depender de kits SKD, que pagam 35% fora da cota.
GWM em Iracemápolis (SP)
A GWM inaugurou a fábrica em 15 de agosto de 2025, com capacidade para 50 mil veículos por ano, área de soldagem e pintura robotizada, segundo a própria marca. Lá são feitos o Haval H6, a picape Poer P30 e o Haval H9. Em junho de 2026, a linha H6 2027 virou flex em todas as versões, e a GWM passou a chamá-la de primeira linha de híbridos plug-in flex fabricada no Brasil. Avaliamos as versões H6 HEV2 Flex e H6 PHEV35 Flex.
Outras marcas com produção no Brasil
- Toyota: o Yaris Cross Hybrid é produzido em Sorocaba (SP), segundo a Toyota.
- GM: segundo o O Tempo, Spark EUV e Captiva EV são produzidos no Ceará.
- Stellantis: os híbridos leves são nacionais, como o Jeep Avenger, feito em Porto Real (RJ).
Onde entra o Programa Mover?
O imposto de importação é a ferramenta que protege quem produz aqui. O Programa Mover, criado pela Lei nº 14.902, de 27 de junho de 2024, é a política que tenta direcionar essa produção para veículos mais eficientes. Os pontos que interessam ao comprador:
- Créditos para investir no Brasil: a lei limita os créditos financeiros a R$ 3,5 bilhões em 2024, R$ 3,8 bilhões em 2025, R$ 3,9 bilhões em 2026, R$ 4 bilhões em 2027 e R$ 4,1 bilhões em 2028, somando R$ 19,3 bilhões.
- IPI conforme o carro: o IPI passa a depender de eficiência energética, reciclabilidade, segurança, fonte de energia e potência, com o chamado "IPI Verde" regulamentado pelo Decreto nº 12.549/2025.
- Vantagem para o híbrido flex: até 31 de dezembro de 2026, híbridos flex podem ter IPI até 3 pontos percentuais menor que carros convencionais similares.
- Tratamento igual para nacionais e importados no IPI: a lei determina "tratamento isonômico aos bens nacionais e importados". Por isso a diferença entre fabricar aqui ou importar fica concentrada no imposto de importação.
O que isso significa para quem vai comprar?
Se você vai comprar um elétrico ou híbrido novo
- Descubra a origem do modelo. Montado no Brasil ou importado pronto faz diferença no preço e na chance de reajuste.
- Negocie unidades de estoque. Carros importados antes de julho entraram com alíquota menor e podem ter mais espaço para negociação.
- Não compre por pânico. O imposto já está em vigor e o repasse depende de cada marca. Compare preços de modelos equivalentes nacionais e importados.
- Fique de olho em janeiro de 2027, quando a cota zero acaba e o CKD passa para 35%.
Para escolher entre as opções de 2026, veja nosso ranking dos melhores carros híbridos de 2026 e as ofertas de carros elétricos e híbridos plug-in.
Se você vai comprar um usado
O imposto de importação não é cobrado de novo em um carro que já circula no Brasil. O efeito no usado vem pelo preço do zero-quilômetro: se o importado novo encarece, o seminovo equivalente tende a ganhar atratividade; se as marcas com produção local derrubam preços, o usado desvaloriza junto. As duas forças estão atuando ao mesmo tempo em 2026.
Na prática, o usado continua sendo o caminho mais barato para entrar na eletrificação. Antes de fechar, leia o nosso guia do carro elétrico usado, com o que checar em bateria, garantia e histórico.
Fontes consultadas
- MDIC: imposto de importação para veículos eletrificados será retomado em janeiro de 2024 (nov/2023)
- MDIC: Gecex delibera sobre cronograma de elevação tarifária (jul/2025)
- MDIC: medidas do Gecex de 23/06/2026, também reproduzidas pela LegisWeb
- Camex: resoluções Gecex sobre alterações tarifárias
- Lei nº 14.902/2024 (Programa Mover)
- Agência Brasil: governo mantém elevação de tarifas e renova cota zero (jun/2026)
- AutoIndústria: Camex aprova cotas para CKD e SKD por mais seis meses (jun/2026)
- AutoIndústria: mais da metade dos veículos importados vem da China (set/2026)
- Terra: imposto pode deixar importados até 8% mais caros (fev/2026)
- O Tempo: eletrificados importados podem ficar mais caros a partir de julho (jun/2026)
- BYD: inauguração da fábrica de Camaçari (out/2025)
- CNN Brasil: BYD celebra 100 mil carros produzidos na Bahia (jul/2026)
- AutoData: BYD prepara terceiro turno em Camaçari (set/2026)
- GWM: inauguração da fábrica de Iracemápolis (ago/2025)
Observação: em setembro de 2026, parte das páginas de notícias do gov.br e da Agência Brasil estava temporariamente indisponível (a Agência Brasil cita a legislação eleitoral). Os links oficiais foram mantidos, e o conteúdo foi conferido em cópias arquivadas e reproduções.
Compare antes de pagar a conta do imposto
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Perguntas frequentes
Qual é o imposto de importação de carro elétrico em 2026?
Desde 1º de julho de 2026, é de 35% para carros elétricos, híbridos plug-in e híbridos importados prontos, a mesma alíquota dos carros a combustão. Kits semidesmontados (SKD) também pagam 35%, enquanto kits desmontados (CKD) pagam 14% até 31 de dezembro de 2026 e 35% a partir de 2027.
Carro elétrico vai ficar mais caro com o imposto de 35%?
Os importados prontos ficam sob pressão de alta: uma estimativa apresentada em encontro da Abeifa falava em até 8% no preço final. O repasse não é automático, porque depende de estoque, câmbio e estratégia de cada marca, e modelos montados no Brasil sofrem bem menos.
O imposto de importação vale para carro elétrico usado?
Não diretamente. O imposto de importação é cobrado quando o carro entra no país, então um elétrico que já circula no Brasil não paga de novo. O efeito no usado é indireto, pela mudança no preço do zero-quilômetro.
O que é a cota isenta de US$ 463 milhões?
É uma cota de importação com alíquota zero para veículos eletrificados em kits CKD e SKD, aprovada pelo Gecex em 23 de junho de 2026 e válida de 1º de julho a 31 de dezembro de 2026. Carros importados prontos não têm cota: pagam 35%.
Por que BYD e GWM são menos afetadas pelo imposto de 35%?
Porque montam carros no Brasil. A BYD opera em Camaçari (BA) e a GWM em Iracemápolis (SP); carros montados aqui não pagam 35% sobre o veículo pronto, e os kits importados podem usar a cota zero ou a alíquota de 14% dos CKD até o fim de 2026.
O que é o Programa Mover?
É a política industrial do setor automotivo criada pela Lei nº 14.902/2024. Ela prevê até R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros entre 2024 e 2028 para pesquisa e produção e manda calcular o IPI conforme eficiência energética, reciclabilidade, segurança e fonte de energia do veículo.

